outubro 08, 2009

Blog # 456

É dia de Nobel, portanto. Tenho as minhas preferências (Roth, Magris, Kadare, Oz...) mas não faço apostas. O Nobel da Literatura nem sequer é uma lotaria; trata-se, antes, de uma decisão cheia de conveniências e de pormenores pouco abonatórios – desde o simples e aceitável ‘gosto literário’ até à embirração pura ou à valorização política de certos autores e à desvalorização de outros (Cheever, Updike ou Borges não o receberam). Ninguém pode contar com uma decisão limpa e equidistante – mas há de contar com uma, e ficaremos contentes ou desiludidos, mesmo sabendo que a literatura não começa nem acaba no Nobel. Todos os anos, o ‘efeito Nobel’ provoca este género de discussões, o que significa que, lá no fundo, alimentamos o desejo de que os livros sejam, pelo menos, lidos.

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Poesia para dias de Outono: ‘Se Fosse Um Intervalo’, de Ana Luísa Amaral (Dom Quixote), um belo livro: “Um pequeno relâmpago/ que se vestia há muito/ para uma cena assim: dizer adeus a uma vida longa/ em que os actores sobravam”.

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FRASES

"Não é ainda uma situação que podemos antecipar como muito difícil." Adérito Serrão, Prés. do Instituto de Meteorologia. Ontem, no CM.

"Nobel para Paul Auster? É muito simples: no dia em que isto acontecer eu mato-me." Rogério Casanova, no blogue Pastoral Portuguesa.

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